INHOTIM E O PARAOPEBA: O MUSEU A CÉU ABERTO QUE DEPENDE DA SAÚDE DO RIO

Visita guiada no I Fórum Águas do Paraopeba vai expor a dependência hídrica de um dos maiores complexos culturais do mundo e o que isso significa para a política ambiental de Minas Gerais

Com 1,4 mil hectares de área verde, jardins botânicos catalogados e lagos artificiais integrados à paisagem, o Instituto Inhotim, em Brumadinho, é reconhecido internacionalmente como um dos maiores museus a céu aberto do mundo. O que poucos visitantes percebem ao caminhar entre as obras de arte e as espécies exóticas é que toda aquela exuberância depende de um equilíbrio frágil: a saúde do Rio Paraopeba e da bacia hidrográfica que o cerca.

Não por acaso, o I Fórum Águas do Paraopeba, marcado para os dias 15 e 16 de abril no próprio Inhotim, reservou uma visita guiada temática dedicada exclusivamente à relação entre o instituto e o rio. O percurso pretende evidenciar como a qualidade e a disponibilidade hídrica da bacia são condição direta para a manutenção do ecossistema que sustenta o patrimônio ambiental e o apelo turístico do complexo.

A escolha da sede não é por acidente. Brumadinho carrega a memória de uma das maiores tragédias ambientais do Brasil — o rompimento da Barragem B1 da Vale, em janeiro de 2019, que despejou 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração no Paraopeba. A requalificação do rio segue em curso, e a presença do Inhotim como anfitrião do fórum reforça uma narrativa estratégica: a de que recuperação ambiental e desenvolvimento econômico podem e devem caminhar juntos.

Para especialistas em gestão hídrica, a discussão vai além da estética. Inhotim movimenta um turismo de alto valor agregado — seu público inclui visitantes nacionais e internacionais com perfil cultural e econômico diferenciado — e qualquer deterioração ambiental visível teria impacto direto na reputação do complexo e no fluxo de visitantes. Em termos práticos, é o que se costuma chamar de soft power ambiental: a capacidade de um ativo de natureza converter-se em argumento político e econômico.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba (CBH Paraopeba) vê na conexão Inhotim-rio uma oportunidade de ampliar o debate sobre proteção ambiental para além do vocabulário técnico. "Quando você mostra que a degradação da bacia ameaça um patrimônio reconhecido mundialmente, o argumento deixa de ser apenas regulatório e passa a ser estratégico", afirma a direção do comitê.

A visita guiada está programada para o primeiro dia do fórum e será aberta a todos os participantes.

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